15.7.17

O cheiro do quotidiano pela manhã

Antes de sair para o café, e já vestido aprimoradamente com o calor do dia, venho apenas acenar à leitora um fresquíssimo bom dia. Ouço a passarada lá fora, que faz as vezes do pássaro do beiral, desaparecido desde há dias em parte incerta: espero não seja uma frigideira de casa petisqueira ou uma pena remanescente na boca de um gato. Ainda não é altura para cuidados: quando for, levantarei a bandeira branca, solicitando a maior atenção caso a leitora vislumbre o foragido canoro. As cigarras, que já se manifestaram ontem, a esta hora estão ainda descansadamente recolhidas. Silêncio, portanto. À tarde talvez passe chez Tia Frederica, para beber uma infusão de realismo. Será nosso um dia, diz ela a propósito, o mundo do quotidiano, aquele a que estamos demasiado alheios para lhe reivindicar a propriedade. Vou reclamar agora um bocadinho do meu quinhão, acompanhá-lo com um café quente e uma sombra amena: gosto do cheiro do quotidiano pela manhã.