13.5.17

Um suave milagre

Atravesso o café de oriente para ocidente, ou seja do meu lugar à janela até à porta de saída, e conto. Eu conto à leitora. Conto dez utentes daquele espaço, dez apreciadores do café e de outras iguarias matinais, de olhar transfixado no ecrã do telefone sem fios. Alguns aos pares, outros a sós com a chávena de café ou um copo de sumo de cor de sol. A exceção era uma adolescente, a única que encontrei no percurso. Essa tinha mergulhado no ecrã de um computador. Um suave milagre, as relações humanas, nestes tempos que vão correndo, numa manhã dolente de sábado.