17.5.17

O amador e a cousa amada

Diz Camões: «Transforma-se o amador na cousa amada» e reforça Lorenzo De' Medici: «Amore non è altro che una transformazione dello amante nella cosa amata». Foram contemporâneos, não é fácil perceber se chegaram independentemente a tal conclusão, ou se um leu o outro. Mas Lorenzo é mais estrito, exclui as formas de amor que não são transformativas. Eu leio em Lorenzo um teste, um limiar: se não transforma, não é amor. Por outro lado, se transforma, não vale a pena voltear, fingir, fugir. Não é outra coisa. Não é senão amor.