27.11.16

Caderno diário

Do pássaro do beiral, nem pio. Aguardei ouvir um trinado que fosse antes de ir à janela: nada. Claro que agora o compreendo. Com este sol radioso de primavera tardia pós-dilúvio, o que faz um canouro que se preze preso num beiral? No lugar dele, nem já cá estaria: andaria pelos céus do rio, pelas areias do mar impaciente, pelas árvores acolhedoras. No lugar dele, digo. No meu, vou à procura de uma esplanada para tomar um café tardio. É o mais que consigo fazer e, creia-me a leitora, já não é pouco.