23.2.16

Um segredo

Não posso dizer a Dona Aureliana, nem a Dona Patroa, menos ainda ao Chico, que descobri um café daqueles que são vendidos em cápsula de alumínio, até parece assunto sério, mas o que descobri não é anunciado por atores americanos em villas sobre lagos italianos, dizia eu, descobri um café desses, que sabe mesmo como eu gosto, e que é assim forte, capaz de ressuscitar um sobreiro fenecido e com notas de amargo pronunciadas, vertiginosas, com sotaque de a sul do equador. Não posso dizer, não entenderiam — mas não lhes ameaça o negócio. Eu gosto é da esplanada e da palheta e isso ainda não cabe na cápsula. Já o café — é bom, este. Tão bom como os deles. Por isso, não posso dizer: é o meu segredo de hoje.