15.6.15

Caderno Diário

O pássaro, que ontem cantou como um tenor numa ópera de Donizetti, denodadamente, sem pausa, sequer, para retomar o fôlego, hoje nem pio. Não precisei dele para acordar a horas que não se recomendam: suspeito que não quis ser o alibi da minha espertina. Todos os dias são mágicos, não diria Calvin, mas pensaria. Todos os dias são mágicos, especialmente a segunda, diria eu, após maturada ponderação. Especialmente quando, chegadas as 23h59, temos a certeza absoluta (ou para lá da dúvida razoável, digamos) que dali a um minuto, cinquenta e nove segundos, cinquenta e oito,... se inicia terça. Essa é a magia, única, particular, reciclável cinquenta e duas vezes por ano, da segunda. Suspeito que o pássaro sabe isso também, este meu Wittgenstein de beiral.