13.8.14

Um grande passo para Maryam, um enorme para a humanidade

Foto: Stanford University

Talvez daqui a umas décadas se visite a casa de Maryam Mirzakhani com a mesma reverência silenciosa com que passei pelo museu Marie Curie em Varsóvia. Para já, a iraniana, professora em Stanford, está remetida ao silêncio, junto da filha de três anos e do marido, enquanto se propaga por todo o mundo a notícia dela ter sido a primeira mulher a ganhar a medalha Fields, a que muitos chamam o Nobel da matemática. Algumas das mais brilhantes mentes matemáticas que conheci são mulheres, nunca percebi, possivelmente ninguém percebia, a relutância do júri Fields, a demora, a dar o grande passo a que o comité Nobel se atreveu logo em 1903, ao atribuir o Nobel da Física a Marie Curie (e em 1911, o segundo Nobel, o da Química). Não sei se Maryam dirá, como a minha amiga, sua conterrânea e homónima (igualmente Maryam), que é persa, por não se identificar com o actual Irão, mas como facto é pouco relevante. Ao validar o trabalho de Maryam, o comité Fields criou o que é mais importante em qualquer área: um (desculpem-me o anglicismo) role-model, alguém a quem se possa indicar a uma qualquer jovem e brilhante estudante de matemática: tu podes ser a próxima Fields. A partir de agora, isso é possível, e sim, é certamente um dia extraordinário para Maryam, mas mais ainda para toda a humanidade.