4.12.16

Creso morreria de inveja

Quando há pouco fui ver as árvores aos primeiros raios de sol depois da chuva boquiaberta da noite, encontrei-as cobertas de dobrões de ouro: redondos, grandes, precipitados no chão por excesso, amontoados em pilhas ávaras. Por Zeus, ou pela divindada da hora, que riqueza imensa se acumula à minha frente. Rico de luz doirada, mais do que Creso, sou então. Abençoada chuva que assim poliu o meu tesouro. 

3.12.16

Entre o momento zero e o não momento infinito

Entre uma imagem tua
e outra imagem de ti
o mundo detém-se.
Em suspenso. E a minha vida
é um pássaro pegado ao cabo
de alta tensão,
depois da descarga.

[Mudado para português, a partir de Chantal Maillard.]

A perfeição afinal é imperfeita

A perfeição é pouco interessante: por exemplo, uma página com um poema é menos cativante do que com um poema e algumas manchas de chá. O chá confere história à página, à leitura do poema, ao poema.

Um falhanço sustentado e irreversível

A poesia é sempre o registo de uma derrota: a incapacidade de expressarmos de forma precisa o que sentimos, na realidade.